Gramaticando

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Passando Aperto

20 de Fevereiro de 2012

A presente coluna tem interesses filológicos latentes, todavia, despir-se do rigor acadêmico em prol de uma boa logomaquia não será um mal irreparável nem falha inescusável. No entanto, antes da palra propriamente dita, vamos ao amigo dicionário, que nos informa: “logomaquia” é uma querela em torno de palavras, um palavreado em vão. Aliás, o pospositivo grego “–maquia”, que significa “luta”, “peleja”, “batalha”, está presente na controversa “alectoromaquia”, repudiada e proibida pelo presidente Jânio Quadros (dicionário, dicionário...).
Mesmo que não muito afeito aos jogos de azar e às rinhas, o homem mediano tem uma propensão aos maus hábitos, que, se não o forem de todo, pelo menos muito bem não fazem. Aquele pedaço de pizza de madrugada, encontrado no mais recôndito recanto do refrigerador; a cervejinha na terça-feira à tarde, sob a desculpa de que o lúpulo, a cevada ou qualquer outro ingrediente, menos o álcool, claro está, foi indicação médica ou leitura feita em revista de saúde; a televisão que continua sintonizada no mesmo canal caso o controle remoto não se encontre ao alcance das mãos, ou dos pés, dependendo do gosto pelo contorcionismo.

O acúmulo dos anos se torna acúmulo de tecido adiposo e o homem decide: “vou malhar”. Visto que não mais dispomos de predadores naturais a nos perseguir, nem vivemos em floresta tropical cerrada, que nos custe o hercúleo trabalho da transposição, encontrar um lugar adequado para os exercícios não é tão simples assim. Pululam academias, lutas, artes marciais e circenses, parques municipais, aparelhos e geringonças para os que desejam evitar o ridículo da exposição de seu infortúnio muscular em público e sofrer na reclusão do lar. Escolhida a forma de suplício, ainda resta a aquisição do material esportivo, quer seja uma sunga, quer seja uma bicicleta de centenas de reais.
Sem falar na alimentação. Ouve-se por aí que a moda é a tal “ração humana”. Ora, se papagaios, cachorros, gatos, periquitos, tartarugas e ornitorrincos têm suas respectivas rações, balanceadas, ricas em fibras, cereais e tudo mais que se diz salutar, por que não termos os mesmos benefícios providos pela tecnologia e engenharia de alimentos? O problema é que, em reportagens apresentadas por mais de um telejornal de abrangência nacional, em sítios virtuais respeitáveis, fóruns, lista de discussão etc., muito já se discutiu sobre a eficácia desse e de outros alimentícios tidos teoricamente como sempre saudáveis e melhores que a feijoada do sábado. Pois que o argumento da necessidade é imbatível para o que se acha em carência. Quem se alimenta pouco, ou se exercita muito, certamente precisará de suplementos e complementos alimentares, repositores energéticos etc.

Pronto. Lá vai o sujeito, backpack ajeitada, mp3 player no ouvido, após duas cápsulas de protein, vestindo uma new dri-fit shirt e um short for trainning, pedalando sua bike da linha fitness. O ambiente da academia – refiro-me à de ginástica, não à de Letras ou à científica, que sempre podem ser mote de outro texto – é meio prolífico para aquilo que comumente se chama estrangeirismo. Importam-se hábitos, cultura e, consequentemente, material linguístico. Isso deve ser sinal da tal globalização, ou estamos metendo os pés pelas mãos até na hora de suar.

A presente coluna tem interesses filológicos latentes, todavia, despir-se do rigor acadêmico em prol de uma boa logomaquia não será um mal irreparável nem falha inescusável. No entanto, antes da palra propriamente dita, vamos ao amigo dicionário, que nos informa: “logomaquia” é uma querela em torno de palavras, um palavreado em vão. Aliás, o pospositivo grego “–maquia”, que significa “luta”, “peleja”, “batalha”, está presente na controversa “alectoromaquia”, repudiada e proibida pelo presidente Jânio Quadros (dicionário, dicionário...).
Mesmo que não muito afeito aos jogos de azar e às rinhas, o homem mediano tem uma propensão aos maus hábitos, que, se não o forem de todo, pelo menos muito bem não fazem. Aquele pedaço de pizza de madrugada, encontrado no mais recôndito recanto do refrigerador; a cervejinha na terça-feira à tarde, sob a desculpa de que o lúpulo, a cevada ou qualquer outro ingrediente, menos o álcool, claro está, foi indicação médica ou leitura feita em revista de saúde; a televisão que continua sintonizada no mesmo canal caso o controle remoto não se encontre ao alcance das mãos, ou dos pés, dependendo do gosto pelo contorcionismo.

O acúmulo dos anos se torna acúmulo de tecido adiposo e o homem decide: “vou malhar”. Visto que não mais dispomos de predadores naturais a nos perseguir, nem vivemos em floresta tropical cerrada, que nos custe o hercúleo trabalho da transposição, encontrar um lugar adequado para os exercícios não é tão simples assim. Pululam academias, lutas, artes marciais e circenses, parques municipais, aparelhos e geringonças para os que desejam evitar o ridículo da exposição de seu infortúnio muscular em público e sofrer na reclusão do lar. Escolhida a forma de suplício, ainda resta a aquisição do material esportivo, quer seja uma sunga, quer seja uma bicicleta de centenas de reais.
Sem falar na alimentação. Ouve-se por aí que a moda é a tal “ração humana”. Ora, se papagaios, cachorros, gatos, periquitos, tartarugas e ornitorrincos têm suas respectivas rações, balanceadas, ricas em fibras, cereais e tudo mais que se diz salutar, por que não termos os mesmos benefícios providos pela tecnologia e engenharia de alimentos? O problema é que, em reportagens apresentadas por mais de um telejornal de abrangência nacional, em sítios virtuais respeitáveis, fóruns, lista de discussão etc., muito já se discutiu sobre a eficácia desse e de outros alimentícios tidos teoricamente como sempre saudáveis e melhores que a feijoada do sábado. Pois que o argumento da necessidade é imbatível para o que se acha em carência. Quem se alimenta pouco, ou se exercita muito, certamente precisará de suplementos e complementos alimentares, repositores energéticos etc.

Pronto. Lá vai o sujeito, backpack ajeitada, mp3 player no ouvido, após duas cápsulas de protein, vestindo uma new dri-fit shirt e um short for trainning, pedalando sua bike da linha fitness. O ambiente da academia – refiro-me à de ginástica, não à de Letras ou à científica, que sempre podem ser mote de outro texto – é meio prolífico para aquilo que comumente se chama estrangeirismo. Importam-se hábitos, cultura e, consequentemente, material linguístico. Isso deve ser sinal da tal globalização, ou estamos metendo os pés pelas mãos até na hora de suar.