Gramaticando

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Palavras Cruzeiras

20 de Fevereiro de 2012

Jornais afetam pessoas de maneira peculiar. Telejornais, ainda mais. Há aqueles telespectadores que respondem aos âncoras a afetuosa e pessoal saudação “boa noite” prontamente e lhes fazem companhia durante toda a transmissão. Outros apenas divertem as meninas dos olhos com as imagens provindas do aparelho televisor, como quem admira um aquário.
Uma senhora, num dia desses, me perguntou se eu sabia que o nome da moeda corrente iria mudar. Lembrei-me dos anos da minha infância, em que mudávamos de moeda frequentemente: Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real – tudo isso em menos de dez anos – até chegarmos ao aparentemente estável Real, depois da inesquecível “unidade real de valor”. Disse que não tinha ouvido nada do assunto, mas não quis duvidar, já que a fonte da notícia, como dizia ela, era um telejornal diário, há quarenta anos no ar. Decidi dar algum crédito à senhora e pesquisar a tal alteração monetária.

Descobri que o programa jornalístico em questão apresentava um quadro comemorativo de seu aniversário, reapresentando matérias que marcaram o público. Uma delas, naquela mesma semana, foi sobre a troca do nome Cruzeiro por Cruzeiro Real, exibida pela primeira vez em 1993.



Mas o que isso tem a ver com Gramática? Pois bem, para responder a este, vamos a outro questionamento. Será que conseguimos captar com eficiência as centenas de mensagens que nos bombardeiam todos os dias? São os mais diversos tipos de textos, orais e escritos, nos mais diferentes registros de linguagem.
Cada grupo, organizado social e geograficamente, possui um registro diferente, com suas próprias diretrizes, especificidades e usos, ao longo do eixo do tempo. Uma verdadeira salada russa, cuja receita, por si só, já é repleta de informações. Das propagandas nas ruas às salas de aula, estamos imersos num oceano linguístico. Numa casa aqui da vizinhança, há a pichação “Os muros também falam”. Mudança dos tempos, já que antigamente só se atentava para as paredes, que têm ouvidos.

Se dedicarmos maior atenção aos enunciados que nos rodeiam, ficaremos deslumbrados. Na semana passada, agravou-se um tumulto que tomou conta do automobilismo. Nas bancas, podiam-se ver distintas manchetes, “Escândalo na F-1 tem agora até insinuação homossexual”, num jornal destinado a um determinado público, enquanto noutro se lia “Ex-chefe apela e diz que Nelsinho dá a ré”. Gostei mais da segunda, que faz brincadeira com o sentido conotativo da expressão “dar a ré”. A conotação aborda o sentido figurado, onde reside a anedota arquitetada pelo autor do texto, em contraposição à denotação indica o significado literal, direto.
Toda leitura pressupõe uma decodificação. Se nessa decodificação tivermos atenção, sagacidade e algumas doses de bom-humor, garantir-se-nos-ão boas gargalhadas e uma percepção melhor do mundo de significados que nos rodeia. E isso, independentemente do nome da moeda vigente, não tem preço!

Jornais afetam pessoas de maneira peculiar. Telejornais, ainda mais. Há aqueles telespectadores que respondem aos âncoras a afetuosa e pessoal saudação “boa noite” prontamente e lhes fazem companhia durante toda a transmissão. Outros apenas divertem as meninas dos olhos com as imagens provindas do aparelho televisor, como quem admira um aquário.
Uma senhora, num dia desses, me perguntou se eu sabia que o nome da moeda corrente iria mudar. Lembrei-me dos anos da minha infância, em que mudávamos de moeda frequentemente: Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real – tudo isso em menos de dez anos – até chegarmos ao aparentemente estável Real, depois da inesquecível “unidade real de valor”. Disse que não tinha ouvido nada do assunto, mas não quis duvidar, já que a fonte da notícia, como dizia ela, era um telejornal diário, há quarenta anos no ar. Decidi dar algum crédito à senhora e pesquisar a tal alteração monetária.

Descobri que o programa jornalístico em questão apresentava um quadro comemorativo de seu aniversário, reapresentando matérias que marcaram o público. Uma delas, naquela mesma semana, foi sobre a troca do nome Cruzeiro por Cruzeiro Real, exibida pela primeira vez em 1993.



Mas o que isso tem a ver com Gramática? Pois bem, para responder a este, vamos a outro questionamento. Será que conseguimos captar com eficiência as centenas de mensagens que nos bombardeiam todos os dias? São os mais diversos tipos de textos, orais e escritos, nos mais diferentes registros de linguagem.
Cada grupo, organizado social e geograficamente, possui um registro diferente, com suas próprias diretrizes, especificidades e usos, ao longo do eixo do tempo. Uma verdadeira salada russa, cuja receita, por si só, já é repleta de informações. Das propagandas nas ruas às salas de aula, estamos imersos num oceano linguístico. Numa casa aqui da vizinhança, há a pichação “Os muros também falam”. Mudança dos tempos, já que antigamente só se atentava para as paredes, que têm ouvidos.

Se dedicarmos maior atenção aos enunciados que nos rodeiam, ficaremos deslumbrados. Na semana passada, agravou-se um tumulto que tomou conta do automobilismo. Nas bancas, podiam-se ver distintas manchetes, “Escândalo na F-1 tem agora até insinuação homossexual”, num jornal destinado a um determinado público, enquanto noutro se lia “Ex-chefe apela e diz que Nelsinho dá a ré”. Gostei mais da segunda, que faz brincadeira com o sentido conotativo da expressão “dar a ré”. A conotação aborda o sentido figurado, onde reside a anedota arquitetada pelo autor do texto, em contraposição à denotação indica o significado literal, direto.
Toda leitura pressupõe uma decodificação. Se nessa decodificação tivermos atenção, sagacidade e algumas doses de bom-humor, garantir-se-nos-ão boas gargalhadas e uma percepção melhor do mundo de significados que nos rodeia. E isso, independentemente do nome da moeda vigente, não tem preço!