Gramaticando

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Usos do SE

10 de Fevereiro de 2012

E se eu usar esse se? (parte um)



E aí, gente, tudo bom? Gramaticando de hoje tratará de um assunto um pouco mais técnico da área: as possíveis classificações do “se”.

É importante lembrar, inicialmente, que existem palavras aparentemente iguais, mas pertencem a classes morfológicas diferentes. Um caso clássico é o “a”, existindo como artigo (A menina chegou), pronome oblíquo (Ele a chamou) e preposição (Chegou a uma conclusão). Com o “se” ocorre o mesmo, existindo a conjunção (Se eu pudesse, faria) e pronome oblíquo (O homem se perdeu).

Nos exames vestibulares é comum ser cobrada a diferenciação entre os quatro usos do pronome oblíquo “se”. Hoje, falaremos especificamente sobre dois deles: o pronome reflexivo e a partícula integrante (os outros dois usos, Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito, serão explicados no próximo “Gramaticando”).


Pronome reflexivo

“O menino se cortou”

Estão lembrados da voz reflexiva? Ela ocorre quando o sujeito pratica e recebe a ação descrita no verbo, como na frase acima (O menino se cortou), que poderia ser uma paráfrase de “O menino cortou a si mesmo”. Quando o se faz referência ao sujeito da oração, indicando que ele também sofre a ação, ele será um pronome reflexivo e, sintaticamente, classificado como Objeto Direto (uma vez que ele complementa o sentido do verbo transitivo direto cortar, no exemplo supracitado).


Partícula Integrante

“Ele se queixou”

No português existem verbos que pedem a presença de um pronome para que faça sentido, como os verbos: queixar-se, chamar-se (Ele se chama João), acabar-se (Ela se acabou na festa), entre outros. Quando o verbo for pronominal, o se será uma partícula integrante, não tendo função sintática. Note que, diferentemente do pronome reflexivo, o sujeito não pratica e recebe a ação (ninguém se queixa para si mesmo, chama a si mesmo ou acaba consigo).

Resumindo: quando o “se” não indicar que o sujeito pratica e recebe a ação, ele será uma partícula integrante.


Tranquilos os conceitos? Na próxima pubicação, estudaremos a Partícula Apassivadora e o Índice de Indeterminação do Sujeito, que merecem uma atenção maior para a diferenciação.



Obrigado pela atenção, um beijo no coração e até a próxima!



Ivan Perina, Professor de Língua Portuguesa, Graduando em Letras pela UNICAMP



E se eu usar esse se? (parte um)



E aí, gente, tudo bom? Gramaticando de hoje tratará de um assunto um pouco mais técnico da área: as possíveis classificações do “se”.

É importante lembrar, inicialmente, que existem palavras aparentemente iguais, mas pertencem a classes morfológicas diferentes. Um caso clássico é o “a”, existindo como artigo (A menina chegou), pronome oblíquo (Ele a chamou) e preposição (Chegou a uma conclusão). Com o “se” ocorre o mesmo, existindo a conjunção (Se eu pudesse, faria) e pronome oblíquo (O homem se perdeu).

Nos exames vestibulares é comum ser cobrada a diferenciação entre os quatro usos do pronome oblíquo “se”. Hoje, falaremos especificamente sobre dois deles: o pronome reflexivo e a partícula integrante (os outros dois usos, Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito, serão explicados no próximo “Gramaticando”).


Pronome reflexivo

“O menino se cortou”

Estão lembrados da voz reflexiva? Ela ocorre quando o sujeito pratica e recebe a ação descrita no verbo, como na frase acima (O menino se cortou), que poderia ser uma paráfrase de “O menino cortou a si mesmo”. Quando o se faz referência ao sujeito da oração, indicando que ele também sofre a ação, ele será um pronome reflexivo e, sintaticamente, classificado como Objeto Direto (uma vez que ele complementa o sentido do verbo transitivo direto cortar, no exemplo supracitado).


Partícula Integrante

“Ele se queixou”

No português existem verbos que pedem a presença de um pronome para que faça sentido, como os verbos: queixar-se, chamar-se (Ele se chama João), acabar-se (Ela se acabou na festa), entre outros. Quando o verbo for pronominal, o se será uma partícula integrante, não tendo função sintática. Note que, diferentemente do pronome reflexivo, o sujeito não pratica e recebe a ação (ninguém se queixa para si mesmo, chama a si mesmo ou acaba consigo).

Resumindo: quando o “se” não indicar que o sujeito pratica e recebe a ação, ele será uma partícula integrante.


Tranquilos os conceitos? Na próxima pubicação, estudaremos a Partícula Apassivadora e o Índice de Indeterminação do Sujeito, que merecem uma atenção maior para a diferenciação.



Obrigado pela atenção, um beijo no coração e até a próxima!



Ivan Perina, Professor de Língua Portuguesa, Graduando em Letras pela UNICAMP