1) O SISTEMA DE TRANSPORTES DE CAMPINAS – INTERCAMP – PASSA POR INÚMERAS E CONSTANTES MUDANÇAS. O “CORREDOR CENTRAL”, IMPLANTADO EM JANEIRO DE 2010, PRETENDE AUMENTAR A SEGURANÇA E A FLUIDEZ NA ÁREA CENTRAL. QUAIS OS PRINCIPAIS PONTOS DO PROJETO?
Os principais pontos do projeto são:
- A destinação de faixas exclusivas e preferenciais ao longo das Avenidas que compõem o Corredor; separando o tráfego do transporte coletivo e do transporte individual. As faixas exclusivas, destinadas apenas ao transporte coletivo, estão implantadas junto ao canteiro central.
As outras faixas, que dão acesso às ruas e travessas à direita e à esquerda, ficam para o tráfego dos carros particulares. Assim, ônibus e carros não interferem entre si e o trânsito flui melhor.
- Fechamento das “agulhas” impede a troca de pista – ou seja, os veículos não podem mais trocar de pista, da interna para a externa ou vice-versa, o que causava retardamento do trânsito. Sem elas, o trânsito fica mais ágil.
- Ampliação da segurança para os pedestres e melhoria do embarque e desembarque - os passageiros contam nas paradas e Estações de Transferência com piso elevado e podotátil, novos abrigos e mais conforto; e os pedestres circulam com mais segurança em razão da melhoria nas travessias, como rebaixamento de guias, implantação de novos semáforos, inclusive com temporizador – que mostra o tempo que resta para a realização da travessia.
2) E QUAIS SERÃO AS PRÓXIMAS ETAPAS, LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO QUE O NÚMERO DE LINHAS QUE CIRCULAM PELO CORREDOR AINDA É MUITO GRANDE? ESTIMULAR O USO DA INTEGRAÇÃO NO TERMINAL CENTRARL E RETIRAR PARTE DAS LINHAS QUE CIRCULAM PELO CENTRO SERIA UMA SAÍDA?
A próxima etapa já está em andamento, que é uma revisão operacional. Após o resultado, a intenção é retirar do Corredor Central as linhas de baixa demanda (linhas que têm frota menor e tempo maior entre os horários) e levá-las para terminais, principalmente, o Terminal Central. Assim, as linhas que ficarem no Corredor são aquelas que têm intervalo curto e maior frota, o que significa menos tempo de espera para o usuário, além de evitar a superlotação dos pontos ou estações de transferência.
3) QUAIS SÃO AS PRÓXIMAS MELHORIAS NO INTERCAMP, QUE ESTÃO PREVISTAS PARA 2010?
Implantação de novas estações de transferência: Sousas, Parque Prado, Abolição, Cidade Judiciária e Campo Belo; Implantação de Corredores com circulação à direita (Amarais, Sousas, Viracopos, Nova Aparecida e Abolição; o Corredor Ouro Verde (VLP); o corredor Campo Grande; e a chegada de ônibus biarticulados, com maior capacidade para os corredores.
4) O SR. FOI O RESPONSÁVEL PELA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE TRANSPORTES NA CAPITAL (INTERLIGADO) E TROUXE A EXPERIÊNCIA PARA CAMPINAS, COM O INTERCAMP. QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS E OS DESAFIOS ENCONTRADOS PARA A IMPLANTAÇÃO DOS DOIS PROJETOS?
Os corredores, o Bilhete Único e as estações de transferência têm o mesmo conceito. A principal diferença está no tamanho/dimensão dos sistemas. São Paulo conta com uma frota de, aproximadamente, 15 mil veículos, enquanto Campinas conta com 1200. Os principais desafios foram: a alteração da estrutura dos veículos, para adaptá-los com porta à esquerda; assumir o controle da gestão financeira do sistema; priorizar o setor de transporte no Governo Municipal, usando novos conceitos (corredores com faixa esquerda, bilhetagem eletrônica, política tarifária com integração pelo tempo, integração livre em qualquer ponto da cidade, divisão da cidade em áreas operacionais e novas tecnologias).
5) A IMPLANTAÇÃO DO TAV TRARÁ MUITOS INVESTIMENTOS PARA CAMPINAS E SERÁ UM IMPORTANTES IMPULSIONADOR PARA O AEROPORTO DE VIRACOPOS. SABEMOS QUE CAMPINAS NÃO TEM UM HISTÓRICO FAVORÁVEL PARA O TRANSPORTE SOBRE TRILHOS, LEIA-SE VLT (VEÍCULO LEVE SOBRE TRIHLO). RECENTEMENTE FOI ANUNCIADO A IMPLANTAÇÃO DO VLP (VEÍCULO LEVE SOBRE PNEUS), MAS LOGO EM SEGUIDA, DEVIVO AOS ALTOS CUSTOS, O PROJETO FOI SUBSTITUIDO POR ÔNIBUS BIARTICULADOS. AGORA, QUE O SISTEMA ATRAVÉS DE ÔNIBUS ESTÁ APRESENTANDO BONS RESULTADOS, NÃO SERIA A HORA DE OPÇÕES COM MAIOR CAPACIDADE, COMO VEM SENDO PENSADO EM OUTRAS CIDADES (VLT EM BRASÍLIA E MACEIÓ, POR EXEMPLO)?
Primeiramente, a afirmação de que Campinas não tem um histórico favorável para o transporte sobre trilhos não é verdadeira. No século passado, a cidade foi um grande entroncamento ferroviário, por onde passavam seis linhas. Ou seja, o histórico do transporte ferroviário é muito forte, foi inclusive base para o desenvolvimento da cidade. Inicialmente, foi trabalhado o VLP nos eixos Ouro Verde e Campo Grande. Porém, o eixo Ouro Verde é prioritário, porque faz ligação com o Aeroporto; logo tem maior demanda e gera mais empregos. O projeto para o eixo Campo Grande tem menor perspectiva de crescimento, sendo assim manteve-se o projeto original e, por isso, não será implantado o VLP.
6) QUAL A SUA OPINIÃO, DE MANEIRA GERAL, SOBRE O TRANSPORTE DO PAÍS? A IMPLANTAÇÃO DO TAV PODE SER UM MARCO NO INVESTIMENTO DO SISTEMA FERROVIÁRIO DO BRASIL. VOCÊ ACREDITA QUE ESSE É O INÍCIO DE UMA REVOLUÇÃO DO TRANSPORTE OU APENAS UM CAPÍTULO DE UMA HISTÓRIA DE UM PAÍS QUE PRIORIZA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO?
O TAV é um transporte para grandes distâncias, mas, certamente, será um marco. Ele altera a matriz de viagens no país, substituindo as viagens aéreas. Dessa maneira, ele causa uma revolução no transporte, porque o projeto prevê também a transferência de tecnologia. Ele garante desenvolvimento, e as próximas etapas serão construídas com tecnologia nacional.
7) O SR. TEM UMA GRANDE EXPERIÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA. QUAIS AS DICAS QUE VOCÊ DÁ PARA OS JOVENS QUE QUEREM TRABALHAR COM PROJETOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS?
É preciso levar em consideração um conjunto de princípios, entre eles:
- Transparência e respeito com os recursos públicos e nos atos administrativos;
- Pensar e, sobretudo, transformar idéias e propostas isoladas em políticas públicas, priorizando os que mais precisam;
- Na área de transporte, a prioridade deve ser sempre o usuário;
- Realizar um bom planejamento, com prioridades e metas claras; assim como também os respectivos prazos e responsáveis;
- Constituir uma boa equipe de trabalho, especialmente, nas funções de coordenação e gerenciamento; e, sobretudo, realizar um trabalho em equipe, envolvendo as diversas áreas da Administração.
- Acompanhar, diretamente, todos os passos no processo de planejamento e implantação das políticas públicas. Nem sempre é possível delegar funções. Quando for o caso, orientar e ser informado das diversas ações.
*Fotos: Luiz Granzotto / AI Emdec |