Tira Dúvidas

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Mudanças no governo japonês

14 de Junho de 2010

O Parlamento japonês escolheu, no último dia quatro de junho , o quinto primeiro-ministro em um período de quatro anos. Essa instabilidade política não prejudica o país, que ainda ocupa uma das primeiras posições no ranking das maiores economias internacionais?

Antes de tudo, registramos os cumprimentos ao estudante João Pedro, residente na cidade de Amparo, pela inteligente e bem formulada pergunta relacionada a um assunto importante, mas que nem sempre merece atenção: as formas de governo utilizadas nos países considerados desenvolvidos.

Desde o final da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), o Japão adota o modelo parlamentarista de governo; ou seja, a liderança do poder executivo é entregue ao líder do partido que possui maior número de representantes no Parlamento japonês.

Assim, apesar da existência de um Imperador, este não possui poderes políticos efetivos (o atual Imperador japonês está no trono desde 1989, chama-se Akihito).

Segundo a Constituição Japonesa em vigor, o Imperador é o representante do Estado e símbolo da unidade nacional, mas não possui qualquer poder relacionado ao governo. Ou seja: as funções do monarca japonês são idênticas às desempenhadas pela rainha da Inglaterra.

De alguma maneira, esse modelo de governo garante estabilidade mesmo quando há seguidas mudanças na liderança do partido majoritário no Parlamento – como é o caso das cinco trocas de primeiro-ministro, em um período de quatro anos, mencionadas na pergunta.

A saída de Yukio Hatoyama, que renunciou no último dia 1º de junho, não significou a saída de seu partido do poder. O novo primeiro-ministro, escolhido três dias após a renúncia de Hatoyama, também faz parte dos quadros do Partido Democrático (PD) – vencedor das eleições parlamentares japonesas realizadas em agosto de 2009, quando foi derrotado o Partido Liberal Democrata (PLD) que governou o país por mais de 50 anos.

Desta maneira, o que tivemos foi a substituição do líder, mas não a troca geral da orientação do governo, garantida pelos parlamentares escolhidos pela população nas eleições gerais do ano passado. O novo primeiro-ministro, Naoto Kan, assumirá o cargo com grandes índices de popularidade – ele é muito bem visto, por exemplo, pelos líderes dos setores financeiros e produtivos do Japão, por ser considerado um firme defensor dos cortes de gastos públicos e da conseqüente diminuição do déficit fiscal.

A renúncia de Hatoyama, portanto, não ocorreu por conta de um desejo amplo da população do Japão por mudanças nas diretrizes gerais da administração. Ela foi fruto da grande impopularidade do então primeiro-ministro, que, em oito meses de governo, consolidou a imagem de um líder indeciso e ineficiente – características que ele demonstrou ao desistir de cumprir uma das suas principais promessas de campanha, a desativação da base militar dos EUA na ilha de Okinawa (em 28 de maio, Hatoyama assinara um acordo com o presidente dos EUA, Barak Obama, que garantia a permanência da base militar até 2010, pelo menos).

Por Célio R. Tasinafo
Professor de História, Oficina do Estudante.


www.oficinadoestudante.com.br


O Parlamento japonês escolheu, no último dia quatro de junho , o quinto primeiro-ministro em um período de quatro anos. Essa instabilidade política não prejudica o país, que ainda ocupa uma das primeiras posições no ranking das maiores economias internacionais?

Antes de tudo, registramos os cumprimentos ao estudante João Pedro, residente na cidade de Amparo, pela inteligente e bem formulada pergunta relacionada a um assunto importante, mas que nem sempre merece atenção: as formas de governo utilizadas nos países considerados desenvolvidos.

Desde o final da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), o Japão adota o modelo parlamentarista de governo; ou seja, a liderança do poder executivo é entregue ao líder do partido que possui maior número de representantes no Parlamento japonês.

Assim, apesar da existência de um Imperador, este não possui poderes políticos efetivos (o atual Imperador japonês está no trono desde 1989, chama-se Akihito).


Segundo a Constituição Japonesa em vigor, o Imperador é o representante do Estado e símbolo da unidade nacional, mas não possui qualquer poder relacionado ao governo. Ou seja: as funções do monarca japonês são idênticas às desempenhadas pela rainha da Inglaterra.

De alguma maneira, esse modelo de governo garante estabilidade mesmo quando há seguidas mudanças na liderança do partido majoritário no Parlamento – como é o caso das cinco trocas de primeiro-ministro, em um período de quatro anos, mencionadas na pergunta.

A saída de Yukio Hatoyama, que renunciou no último dia 1º de junho, não significou a saída de seu partido do poder. O novo primeiro-ministro, escolhido três dias após a renúncia de Hatoyama, também faz parte dos quadros do Partido Democrático (PD) – vencedor das eleições parlamentares japonesas realizadas em agosto de 2009, quando foi derrotado o Partido Liberal Democrata (PLD) que governou o país por mais de 50 anos.


Desta maneira, o que tivemos foi a substituição do líder, mas não a troca geral da orientação do governo, garantida pelos parlamentares escolhidos pela população nas eleições gerais do ano passado. O novo primeiro-ministro, Naoto Kan, assumirá o cargo com grandes índices de popularidade – ele é muito bem visto, por exemplo, pelos líderes dos setores financeiros e produtivos do Japão, por ser considerado um firme defensor dos cortes de gastos públicos e da conseqüente diminuição do déficit fiscal.

A renúncia de Hatoyama, portanto, não ocorreu por conta de um desejo amplo da população do Japão por mudanças nas diretrizes gerais da administração. Ela foi fruto da grande impopularidade do então primeiro-ministro, que, em oito meses de governo, consolidou a imagem de um líder indeciso e ineficiente – características que ele demonstrou ao desistir de cumprir uma das suas principais promessas de campanha, a desativação da base militar dos EUA na ilha de Okinawa (em 28 de maio, Hatoyama assinara um acordo com o presidente dos EUA, Barak Obama, que garantia a permanência da base militar até 2010, pelo menos).

Por Célio R. Tasinafo
Professor de História, Oficina do Estudante.


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